O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta segunda-feira (21) que a Polícia Federal abra um inquérito para investigar se empresas e pessoas físicas tiveram acesso a informação privilegiada e lucraram na compra e venda de dólares no dia 9, quando Donald Trump anunciou a tarifa de 50% sobre produtos brasileiros.

A investigação foi pedida pela Advocacia-Geral da União por suspeita de crime de “Insider trading”, quando um agente se aproveita do acesso a informação privilegiada para ter lucro em operações financeiras. A AGU pediu também que a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) apure o caso.

Moraes determinou que o procedimento seja ligado ao inquérito que investiga a conduta do deputado Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos.

Dias após o tarifaço, Spencer Hakimian, dono de um fundo de investimentos em Nova York, fez uma postagem no X na qual levantou a suspeita de trapaça. Pelos gráficos do mercado, às 13h30 do dia 9, alguém fez uma grande compra de dólares, que Hakimian calcula ter sido de 3 bilhões a 4 bilhões de dólares, quando a cotação era de 5,46 reais por dólar.

Trump anunciou o tarifaço às 16h17. Como era de se esperar, o valor do dólar saltou para 5,60 reais. Poucos minutos depois, um grande volume de dólares foi vendido, praticamente a mesma quantidade que havia sido comprada antes. O movimento levanta a suspeita que alguém soube antes que a medida seria anunciada, comprou os dólares e esperou a medida para vender com lucro.

Não está claro como a Polícia Federal poderá investigar o caso, pois as operações de compra e venda de moeda aconteceram no mercado americano.