O general Mário Fernandes confirmou em depoimento ao Supremo Tribunal Federal nesta quinta-feira (24), que escreveu o documento “Punhal Verde e Amarelo”, que consistia em um plano para matar o ministro Alexandre de Moraes, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o vice, Geraldo Alckmin, em 2022.
Fernandes é um dos réus do núcleo 2 da trama golpista. O grupo é acusado de gerenciar ações para o golpe de estado.
Fernandes chamou o plano que previa assassinatos de “uma análise de riscos”. “Por um costume próprio, decidi, inadvertidamente, digitalizar. Não foi mostrado a ninguém. Não foi compartilhado com ninguém. Não passa de um pensamento digitalizado. Me arrependo de ter digitalizado isso. Não passa de um compilamento de dados”.
A Procuradoria-Geral da República (PGR) e a Polícia Federal afirmam que o documento é uma das principais provas da organização de um golpe de estado. Nele, estão descritos métodos, tipos de armamento, pessoal necessário e eventuais consequências, caso o plano fosse colocado em prática.
A denúncia descreve que Fernandes imprimiu o documento dentro do Palácio do Planalto e que, cerca de 40 minutos depois, foi até o Palácio da Alvorada, onde se reuniu com Bolsonaro. Para os investigadores, ele apresentou o plano ao então presidente.
As investigações apontaram que Fernandes fazia a articulação entre o Palácio do Planalto e os manifestantes acampados na frente do quartel-general do Exército, em Brasília – que, no dia 8 de janeiro de 2023, vandalizaram as sedes dos Poderes. Ele negou ter feito esse papel e reclamou quando o juiz responsável pela audiência classificou o grupo como “golpistas”.
“Eu não tinha interlocução nenhuma, como líder daquele local. Eu fui como cidadão, preocupado com aquele momento do país. Sem liderança ou interlocução com ninguém”, disse.

