Henrique Ávila, ex-sócio do escritório de Sérgio Bermudes, virou o herói da advocacia e do Judiciário do Rio de Janeiro no Conselho Nacional de Justiça. Ele está tentando barrar, em alguns casos com sucesso e com apoio do presidente do Supremo, Luiz Fux, investigações da Corregedoria do Tribunal de Justiça do Rio contra juízes e advogados suspeitos de participação em esquemas nas varas empresariais e de falência.
São fortes as evidências contra, ao menos, quatro juízes do TJ do Rio, conforme análise de documentos sigilosos obtidos pelo Bastidor. Ainda assim, os juízes alegaram ao CNJ, em casos encaminhados ao conselheiro Henrique Ávila, que o corregedor do TJ do Rio, Bernardo Garcez, está promovendo investigações abusivas.
Um dos casos foi suspenso por ordem de Ávila. Que, não satisfeito, pediu a Fux a abertura de uma investigação contra o corregedor, em razão dos alegados abusos. O presidente do Supremo concordou.
Garcez não se acoelhou. Em ofício ao CNJ, defende a lisura das investigações, lista mais irregularidades do juízes e argumenta que o conselheiro Henrique Ávila deveria se afastar dos casos, em função de seu laço com o escritório de Bermudes – banca que patrocinou uma ação contra o corregedor quando Ávila lá estava.
Ávila, que foi indicado ao CNJ por Renan Calheiros, com o apoio do ministro Gilmar Mendes, tornou-se uma unanimidade em setores influentes do Judiciário fluminense, como se percebe, também, pelo aval de Fux às suas decisões.
Como o Bastidor noticiou, essas investigações no Judiciário do Rio – que também envolvem a Lava Jato e o MP local – provavelmente causarão um estrago ainda não percebido por muitos em Brasília.

