Está cada vez mais tóxica a relação entre líderes do centrão e o presidente da Câmara, Rodrigo Maia. Eles reclamam, reservadamente, que o deputado descumpre acordos políticos amiúde e de tudo faz para seguir à frente da Casa. A tensão aumenta conforme se aproximam as eleições para a sucessão de Maia.

Embora o presidente da Câmara negue, os principais líderes do centrão – e não só do PP, que tentará emplacar Arthur Lira no cargo – são unânimes na avaliação de que Maia busca um terceiro mandato, ao arrepio do acertado entre todos na primeira reeleição do Democrata.

O impasse na instalação da Comissão de Orçamento, que põe em sério risco a estabilidade e a previsibilidade das finanças públicas, é responsabilidade de Maia.

Nas principais bancadas, são crescentes as queixas de que a ambição política de Maia se sobrepõe aos deveres institucionais do presidente da Câmara. “A pauta da Câmara está subordinada aos interesses pessoais do Rodrigo”, diz um líder influente.

Há consenso de que Maia articula discretamente e espera ser beneficiado com uma possível – embora ainda improvável – decisão do plenário do Supremo, que autorize a reeleição dele e de Davi Alcolumbre.

Maia sabe que, caso deixe a Presidência da Câmara, deve ser denunciado pela PGR por corrupção e lavagem de dinheiro.