Um dos principais responsáveis pelo bom funcionamento e pela segurança dos processos eletrônicos do Tribunal Regional Federal da Primeira Região, o TRF1, cujo site foi invadido por hackers e segue fora do ar, já foi condenado em segunda instância por estelionato, revelam documentos obtidos pelo Bastidor.
O servidor Bento Gomes Barbosa Junior ocupa, no TRF1, o cargo altamente estratégico de diretor da Coordenadoria de Infraestrutura da Secretaria de Tecnologia da Informação.
Bento é servidor concursado do Supremo Tribunal Federal desde 2005. Fez carreira no setor de tecnologia da informação dos tribunais superiores – inclusive no Conselho Nacional de Justiça. Foi cedido pelo Supremo ao TRF-1 para ocupar o cargo atual.
Em 2014, ele foi condenado, em segunda instância, pelo Tribunal de Justiça do Distrito Federal, a três anos de prisão por estelionato.
Segundo a acusação, Bento era servidor do Corpo de Bombeiros de Brasília. Em 2005, fez concurso para uma vaga no Supremo. Entrou no STF, mas não avisou os Bombeiros. Assim, seguiu recebendo seus vencimentos do Corpo de Bombeiros, mesmo sem trabalhar.
Durante dois anos, entre 2005 e 2007, até ser descoberto, Bento, embora já estivesse na área de TI do Supremo, recebeu R$ 47 mil (em valores desatualizados) do Corpo de Bombeiros. Alegou posteriormente à Justiça não saber que havia ilegalidade nesse fato.
Bento chegou a ser convocado pela Justiça, em 2016, para cumprir a pena em prisão domiciliar. Também foi condenado a devolver o dinheiro, com multa.
Em 2017, porém, conseguiu excluir seu nome do banco de dados do CNJ ( órgão no qual trabalhou) que alerta os órgãos públicos acerca de pessoas condenadas.
Fontes do setor de TI do TRF1 confirmaram há pouco ao Bastidor, reservadamente, que Bento segue no cargo.


