Não há ninguém mais influente no Ministério de Minas e Energia e nas estatais do setor do que o lobista Paulo Pedrosa. Formalmente, ele é diretor da Abrace, a Associação Brasileira dos Grandes Consumidores de Energia e Consumidores Livres. Informalmente, é a pessoa certa a ser consultada para quem deseja fazer negócios na área.

Embora tenha sido diretor da Aneel nos anos 2000, a influência de Pedrosa cresceu imensamente quando ele conseguiu mudar a legislação do setor para favorecer as grandes distribuidoras de energia. Essa habilidade política o conduziu ao Ministério de Minas e Energia quando Fernando Coelho Filho tornou-se chefe da pasta, no governo de Michel Temer. Virou o número dois do deputado.

A parceria entre Coelho Filho e Pedrosa prosseguiu após eles saírem do governo. Mantiveram apadrinhados em estatais como Eletrobrás e Chesf, assim como pessoas-chave no Ministério, mesmo na gestão de Bento Albuquerque.

A Polícia Federal segue de perto a atuação dos apaniguados desse grupo nas estatais de energia. Coelho Filho e seu pai, o senador Fernando Bezerra, líder do governo Bolsonaro na Casa, já são formalmente investigados perante o Supremo por suspeitas de receber propina para direcionar obras no Nordeste, quando Bezerra era ministro do governo Dilma.

Ambos já negaram quaisquer ilegalidades, apesar da contundência das evidências presentes no inquérito e analisadas pelo Bastidor.