No dia 22 deste mês, completam-se dez anos do primeiro depósito de uma empresa de fachada controlada pelo doleiro Alberto Youssef na conta de uma empresa ligada a um agiota do Recife – que, por sua vez, havia emprestado dinheiro ao deputado Arthur Lira, do PP. Foram R$ 100 mil naquele dia e mais R$ 100 mil no mês seguinte. Os valores, segundo Youssef, foram debitados da conta de propina do PP na Petrobras.
Rememore os fatos principais:
- Após a morte do chefe do PP José Janene, em 2010, Arthur Lira (ao lado de Ciro Nogueira, entre outros), assumiu a liderança das operações ilícitas do partido na Diretoria de Abastecimento da Petrobras, de acordo com os relatos do ex-diretor Paulo Roberto Costa, do ex-deputado Pedro Corrêa e de Alberto Youssef;
- Pouco antes das eleições de 2010, o agiota Eduardo Freire, segundo este reconheceu em depoimento à Polícia Federal, repassou R$ 200 mil em dinheiro vivo a Arthur Lira, a título de empréstimo;
- No final da campanha de 2010, Arthur Lira pediu ao doleiro Youssef que pagasse R$ 200 mil a “um agiota do Recife”, que havia lhe emprestado dinheiro, segundo relato de Youssef;
- Em 22 de dezembro de 2010, a MO Consultoria, controlada pelo principal doleiro do petrolão, transferiu R$ 100 mil para a empresa Câmara & Vasconcelos, conta indicada pelo agiota Eduardo Freire;
- Na planilha de propina de Youssef, o depósito foi identificado como “Band Bn”. “Band”, segundo o contador de Youssef, significava “bandido”. “Bn” era uma referência, de acordo com o doleiro, ao senador Benedito Lira, pai do deputado;
- Em sete de janeiro de 2011, a empreiteira Rigidez, também controlada por Youssef, transferiu mais R$ 100 mil para a mesma Câmara & Vasconcelos; e
- Na mesma época, Lira voou de Brasília para São Paulo em três datas em que seu nome foi registrado na portaria do prédio onde fica o escritório do doleiro. Segundo Youssef, Lira pediu e buscou dinheiro vivo, debitado da conta de propina do PP na Petrobras.
Arthur Lira admitiu ter contraído um “empréstimo” com o agiota, mas disse que o dinheiro iria para Pedro Corrêa – o que foi posteriormente negado por Corrêa.
Apesar das provas materiais, as principais testemunhas eram delatores, fato apontado pela defesa do deputado. Em razão disso e do que se considerou a falta de elementos para se configurar o crime de corrupção, a segunda turma do Supremo, liderada pelo ministro Dias Toffoli, rejeitou, em 2017, uma denúncia oferecida pela Procuradoria-Geral da República contra Lira por esse e outros fatos.

