A cada dia aumenta a lista de políticos que acusam Rodrigo Maia de traição e deslealdade na construção da candidatura para sucedê-lo na Presidência da Câmara.

Primeiro foi Arthur Lira, hoje candidato do centrão e do Planalto. O líder do PP e seus aliados haviam apoiado a reeleição de Maia em troca de promessas quebradas, como assumir o comando da Comissão Mista de Orçamento.

Depois veio, entre outros, o deputado Marcos Pereira, do Republicanos. Ele integrava o mesmo grupo e, embora soubesse que Maia provavelmente insistiria na própria reeleição mais uma vez, cumpriu sua palavra e ficou até o fim com o atual presidente da Câmara. Foi usado. Hoje, apoia Lira.

Ontem foi a vez de Elmar Nascimento, ex-líder do próprio DEM. Estimulado por Maia e ACM Neto, o deputado baiano buscou apoio na esquerda do estado, incluindo o PT, e articulou sua candidatura o quanto pôde.

Elmar descobriu que também foi traído por Maia. O presidente da Câmara usou a articulação feita pelo deputado para fortalecer Aguinaldo Ribeiro perante os blocos de esquerda na Câmara. Aguinaldo, do mesmo PP de Lira, é o candidato preferencial de Maia.

Elmar, como os demais que foram traídos por Maia, agora trabalha para levar parte da bancada do DEM à candidatura de Lira.

Líderes partidários explicam que não é apenas o apoio a Rodrigo Maia que diminui na Câmara. É a rejeição e mágoa que aumentam – o que deve ser decisivo na sucessão de Maia e, também, no futuro político dele.