As desavenças entre seus principais líderes e a ausência de um objetivo estratégico comum estão rachando o MDB no Congresso. O MDB perdeu o “P”, lideranças fortes e a capacidade de conciliar os interesses de diferentes grupos do partido. Perdeu a cultura política de cooperação interna, essencial para o sucesso de qualquer disputa externa. Isso restou evidente nas negociações do fim de semana.

Se posicionado com inteligência, o MDB poderia emplacar o próximo presidente do Senado e compor – com todas as benesses decorrentes disso – a chapa vitoriosa na Câmara. Não é o que está acontecendo.

No Senado, o MDB corre o risco de perder novamente a Presidência, mesmo sendo o partido com maior bancada. Suas divisões internas, por meio de Simone Tebet e Renan Calheiros, dificultam imensamente o trabalho de Eduardo Gomes, Eduardo Braga e Fernando Bezerra.

Esse trio tenta articular uma candidatura própria e inapelável no Senado. Era – talvez ainda seja – uma possibilidade, apesar das divergências internas.

Mas os interesses pessoais de Baleia Rossi, líder do partido na Câmara, e de parte da bancada, podem inviabilizar esse plano. Baleia, aliado de Michel Temer, quer ser o candidato de Rodrigo Maia à Presidência da Câmara.

Maia tem um estreita relação com Temer e seu grupo, incluindo Moreira Franco. Apesar de ser do PP, Aguinaldo Ribeiro também atua com eles.

Quanto mais Temer articula, e aparece articulando, como aconteceu nos últimos dias, mais longe fica o MDB do Senado da Presidência da Casa.

Uma vitória do MDB no Senado passa pela composição com o governo e os partidos do centrão. Uma candidatura de Baleia na Câmara, porém, manieta essa articulação.

Se o MDB de fato não apoiar Arthur Lira na Câmara, perde o possível apoio do centrão e do governo – e a chance de eleger um nome de consenso no Senado. E, se Baleia for o candidato, sua ligação com Temer causará ainda mais fissuras na já desunida bancada do PT, a maior da Câmara.