A incerteza sobre a eficácia da vacina da AstraZeneca entre idosos preocupa cada vez mais técnicos e cientistas de orgãos reguladores no Brasil e na Europa. Embora não restem dúvidas sobre a segurança do imunizante, há o que se chama de voo cego quanto à eficácia real dele.
Os dados disponíveis sobre a vacina não permitem aferir a eficácia dela entre pessoas acima de 65 anos, como ressaltou a Anvisa e corrobora a OMS. A agência europeia de vacinas deve frisar essa incerteza hoje.
Na avaliação dos técnicos, o problema central é a combinação dessa incerteza com a decisão de distribuir todas as doses da vacina sem que haja previsão de que a segunda estará disponível dentro do período necessário – poucas semanas.
A Fiocruz, parceira da AstraZeneca no Brasil, recomendou que a segunda dose seja aplicada no limite de três meses após a primeira, de modo a ampliar, com a maior rapidez possível, o número de pessoas vacinadas.
Essa estratégia pode até se revelar acertada. Mas, mesmo considerando o cenário de extrema escassez das vacinas, consiste numa aposta de alto risco.
Se a eficácia for relativamente baixa entre os idosos, a demora na aplicação da dose de reforço pode enfraquecer ainda mais a proteção oferecida.

