Foi estratégica a decisão do ministro Ricardo Lewandowski de tornar público, no primeiro dia de trabalho do Judiciário, o processo em que a defesa do ex-presidente Lula pediu – e conseguiu – acesso à parte do material apreendido na Spoofing. É aquela operação na qual a Polícia Federal prendeu hackers que haviam roubado mensagens do Telegram de Deltan Dallagnol e de outras autoridades.
Segundo fontes com conhecimento direto do processo de tomada de decisão de Lewandowski, o ministro quis infligir o maior dano público possível a Sergio Moro e a Lava Jato, às vésperas do julgamento, no tribunal, sobre a alegada suspeição do ex-juiz. Lewandowski é um crítico duro da operação.
Salvo reviravolta, Gilmar Mendes, que lidera a reação a Lava Jato no Supremo há anos, pretende levar seu voto à Segunda Turma nas próximas semanas. A se confirmar a expectativa de que Kassio votará pela suspeição de Moro, o julgamento terminaria – sempre em tese – três a dois contra o ex-juiz.
Nesse cenário, restaria a dúvida sobre quais as consequências práticas, nos processos tocados por Moro, dessa suspeição.

