Executivos das Pfizer e da Johnson & Johnson avaliam que as empresas chegaram ao limite nas negociações com o governo brasileiro. As duas tentam, em vão, vender suas vacinas ao Ministério da Saúde.

A Pfizer assegurou ao governo brasileiro que consegue entregar cerca de cem milhões de doses até o final do ano. A JJ ainda não apresentou um cronograma firme, mas garante parte da entrega ainda no primeiro semestre – a vacina da empresa requer apenas uma aplicação.

Ambas não abdicam de cláusulas contratuais típicas, que estão sendo firmadas com diferentes governos – em especial as que versam sobre a responsabilização civil e penal em caso de efeitos colaterais. Somente no Brasil essas cláusulas “afetam a nossa soberania”, como diz um militar da pasta da Saúde.

Os executivos registraram junto ao Ministério da Saúde que não podem mais ceder em nenhum ponto – e que, caso o governo brasileiro demore a responder, as empresas fecharão com outros clientes.

A Pfizer conseguiu segurar até agora as doses previstas ao Brasil por uma questão de negócios: é mais vantajoso para a empresa, neste momento, fazer uma grande e lucrativa venda ao país do que diluir seus imunizantes em múltiplos contratos considerados pequenos para o porte do laboratório. O Brasil é um dos melhores mercados potenciais do Ocidente.

A farmacêutica americana, porém, é a única das gigantes do setor que quer lucrar abertamente com a vacina – a JJ diz estar num “esforço humanitário”. A Pfizer estima arrecadar ao menos US$ 15 bilhões com o imunizante em 2021. Se não fechar negócio com o governo brasileiro, fechará com quem quiser comprar.

Nos próximos dias, a Pfizer será o primero laboratório a obter registro definitivo da Anvisa para sua vacina. Poderá vender, em tese, a quem preferir: o registro definitivo, ao contrário da autorização de uso emergencial, permite a venda a empresas privadas.