Mesmo no auge da pandemia e após cobranças do Supremo e do Congresso, o Ministério da Saúde ainda não tem um cronograma confiável para a vacinação dos brasileiros. De 48,9 milhões de doses em março, a pasta agora prevê de 22 milhões a 25 milhões neste mês. É um chute que nem Zé Gotinha faria.

Houve reiterados alertas de que os cronogramas apresentados por Eduardo Pazuello não correspondiam à realidade. O ministro contabilizava doses da Sputnik e da Covaxin – nem com um milagre esses imunizantes estariam no Brasil em março.

Mesmo ciente dos problemas de produção da Fiocruz e dos atrasos na fabricação e exportação de insumos da China, o ministro assegurou que Butantan e AstraZeneca entregariam mais doses do que o possível.

O mais recente cronograma, que prevê no mínimo 22 milhões de doses em março, também revela uma visão ilusória da capacidade produtiva no Brasil e da realidade do mercado mundial.

É improvável que haja entregas de insumos e de doses para perfazer os 22 milhões prometidos por Pazuello. Internamente, técnicos da Saúde trabalham com um cenário de, no máximo, 15 milhões de doses em março. Com sorte.