Passou despercebido, mas há uma semana tomou posse como diretor-geral da Agência Nacional de Mineração um amigo das empresas e dos lobistas da área. Servidor da área, Mauro Sousa foi indicado por um consórcio que inclui o senador Chico Rodrigues, o MDB de Minas Gerais, grandes mineradoras e advogados como Frederico Munia Machado.

A posse de Mauro Sousa é uma vitória, portanto, das gigantes do setor, especialmente a Vale, assim como dos políticos, sobretudo de Minas Gerais, que costumam mandar na ANM.

Sousa chegou ao cargo graças a uma manobra altamente questionável. Ele foi sabatinado pelo Senado, com sucesso, em março deste ano. Substituiria Victor Bicca, cujo mandato se encerrava somente em 4 de dezembro. A indicação e a consequente sabatina do novo diretor deveriam ocorrer somente após o fim do mandato de quem ele substituiria.

Contudo, o amplo consórcio político e econômico que mantém influência na ANM não queria correr riscos. Se o sucessor de Bicca fosse indicado agora, talvez não houvesse tempo para aprová-lo ainda em 2022 – e no governo Bolsonaro. Daí a articulação para encaminhar o nome dele com tamanha antecedência.

A proximidade de Sousa com Munia Machado é especialmente preocupante. Hoje acomodado na Secretaria do PPI, o advogado foi procurador da ANM. Nessa posição, contribuiu para decisões controversas e favoráveis a empresas privadas. 

Apesar de não estar formalmente na ANM, Munia Machado mantém influência na agência. A posse de seu amigo Sousa indica que a ANM seguirá capturada por interesses privados.