Imagine um aparelhinho usado no punho, do tamanho de um relógio, que pode monitorar sua frequência cardíaca, ritmo de exercícios, saturação de oxigênio no sangue, chamar um serviço de emergência quando você passar mal e ainda toca umas músicas bacanas por streaming e é acessível a quase qualquer pessoa.
Se essa frase fosse lida há 20 anos, o leitor imaginaria um futuro distópico, em que carros voadores seriam realidade e viagens no tempo a bordo de um DeLorean tunado poderiam ser realizadas ao se atingir 88 milhas por hora. Mas os smartwatches já estão aí e são uma realidade cada vez mais presente nos braços de quem pode pagar.
Uma pesquisa divulgada pela Deloitte aponta que só neste ano devem ser vendidos 320 milhões desses aparelhos. Em 2024, a expectativa do mercado é atingir 440 milhões de unidades. A cada nova geração, os aparelhos ficam mais sofisticados, fornecendo desde eletrocardiogramas a acompanhamentos diários dos hábitos dos consumidores.
Segundo o levantamento, realizado com pessoas que têm esses aparelhos, o uso dos smartwatches está se afastando do modelo inicial, de acompanhamento de exercícios, para ajudar no monitoramento da saúde dos usuários. Pessoas que sofrem de problemas cardíacos são as mais interessadas nesses aparelhos, desde que eles começaram a emitir alertas sobre anomalias como fibrilação atrial, uma das principais causas de infartos.
O levantamento mostrou que 37% dos entrevistados usam algum tipo de smartwacth como acompanhamento cardíaco. Já é o terceiro principal uso, atrás apenas da contagem de passos e do monitoramento de exercícios.
Outro uso constante desses aparelhos é para o monitoramento da oxigenação sanguínea. A função pode ser encontrada em equipamentos de entrada, que custam até R$ 200 ou nos mais caros, que ultrapassam a casa de alguns milhares de reais. Nos Estados Unidos, mais de 10% dos usuários utilizam os smartwatches para descobrir se podem estar com algum sintoma da covid-19, por exemplo.
O avanço dos smartwatches é promovido com as melhorias em sensores, semicondutores e inteligência artificial. Modelos mais caros, por exemplo, já conseguem medir a pressão sanguínea por meio de um algoritmo associado aos sensores dos aparelhos. O acompanhamento contínuo também pode prevenir ataques do coração associados à hipertensão.
Outra tecnologia já disponível são os smart patches, uma espécie de adesivo colocada no corpo da pessoa, que pode oferecer ainda mais precisão nas medições. O equipamento fica grudado com a ajuda de agulhas microscópicas que, pelo tamanho, são indolores e consideradas minimamente invasivas. Em alguns casos, elas podem até fazer a aplicação de medicamentos, como a insulina para diabéticos.
Os smart patches, por enquanto, têm uso limitado para fins específicos, mas podem ser ampliados no futuro, dando aos usuários uma alternativa para acompanharem os dados.
Outra vantagem do uso desses aparelhos em larga escala é a coleta de dados para uso em pesquisas e para o monitoramento dos médicos sobre as condições específicas dos pacientes. Em vez de realizar um exame periódico, no futuro será possível analisar a condição geral de um paciente com base na análise do comportamento diário da pessoa.
Os smartwatches já são uma realidade. Os carros voadores já estão em estudo para os próximos anos e devem trazer motor elétrico. Agora, só falta um cientista meio louco criar um método para atravessarmos a barreira do espaço-tempo usando restos de comida como combustível.

