Num só movimento, Arthur Lira conseguiu desagradar dois aliados de Bolsonaro e bagunçar o palanque do presidente no Paraná.

Na semana passada, o presidente da Câmara embarreirou duas indicações à Presidência da Itaipu. Concorriam Cida Borghetti, mulher de Ricardo Barros, líder do governo na Câmara, e Guto Silva, ex-assessor de Ratinho Júnior, governador do Paraná e expoente do PSD.

Lira disse que topava apoiar um dos nomes, desde que retomasse o comando do Banco do Nordeste, o qual perdera há muito para Valdemar Costa Neto. Ou ao menos um pedaço bom do banco.

Bolsonaro não quis saber de disputa. Por conselho da ala militar, aproveitou a aparência de confusão para nomear alguém de sua confiança. Ainda na semana passada, assumiu a Presidência de Itaipu o almirante Anatacilio Risden, então diretor-financeiro da binacional. Ele entrou no lugar do general João Francisco Ferreira, que pedira exoneração.

A indicação de Cida prestigiaria Ricardo Barros, mas a de Guto Silva era especialmente importante para a aliança com Ratinho Júnior. O governador queria o ex-assessor em Itaipu para afastá-lo da candidatura ao Senado – Guto trabalha para isso, mas Ratinho articula apoiar um nome do PSDB (César Silvestri Filho) para ampliar seu palanque.

Se Ricardo Barros ficou desgostoso, Ratinho ficou contrariado a ponto de anunciar que apoiará a candidatura de Álvaro Dias ao Senado. É uma retaliação. Dias, do Podemos, articula o palanque de Sergio Moro no Paraná.

A recomposição do Planalto com o governador do Paraná provavelmente custará caro – um preço político que será pago por Bolsonaro, não por Lira. Um palanque sólido no estado é essencial para a reeleição do presidente.