O Ministério da Economia informou que Fausto de Andrade Ribeiro, presidente da BB Consórcios, substituirá André Brandão na chefia do Banco do Brasil. Assado em fogo lento por Bolsonaro, Brandão finalmente renunciou ao cargo hoje.

Antes de ser presidente da BB Consórcios, uma área menor do banco, Fausto foi gerente. Segundo três executivos do BB, Fausto não tem currículo para ocupar a Presidência do banco. O nome dele ainda será submetido ao comitê de elegibilidade da instituição financeira. 

Fausto não tem currículo, mas tem padrinho. Foi o centrão que o indicou ao presidente Jair Bolsonaro. Paulo Guedes, portanto, não perdeu apenas um aliado no comando do Banco do Brasil; perdeu a força política para indicar o sucessor de Brandão.

De acordo com fontes com conhecimento direto das tratativas, Fausto foi a segunda opção do centrão e do presidente da Câmara, Arthur Lira. A primeira era o presidente do BRB, Paulo Henrique da Costa. Ele perdeu apoio após o caso do financiamento de uma casa avaliada em R$ 6 milhões, comprada pelo senador Flávio Bolsonaro.

Além de emplacar Fausto na Presidência do BB, o centrão também quer indicar um ou dois vice-presidentes. O secretário-executivo do Ministério da Cidadania, Antonio José Barreto Júnior, é candidato. 

Em janeiro, uma coincidência de anúncios no mesmo dia irritou o presidente Jair Bolsonaro. A Ford avisava que estava saindo do país e o Banco do Brasil divulgava um plano de demissão voluntária e o fechamento de algumas agências. Nada mais impopular para o momento de intensas negociações para a eleição dos presidentes da Câmara e do Senado. 

Depois desse episódio, fontes do Palácio do Planalto informaram jornalistas que Bolsonaro demitira Brandão, mas o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, trabalhou intensamente para reverter a decisão. O êxito dele foi momentâneo porque, semanas depois, o presidente do BB se convenceu que não valia continuar.