A jogatina online está sendo encarada também pelo governo federal como problema de saúde. Para enfrentar esse problema, o Ministério da Saúde está reforçando as ações para enfrentar os impactos da jogatina online na saúde mental, com a ampliação da rede de atendimento e a participação em um grupo interministerial para discutir o jogo patológico.
O ministério informou ao Bastidor que desde o início de 2023, foram habilitados 117 novos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), totalizando 2.953 unidades em 2024, sendo 314 voltados para o atendimento de crianças e jovens. O governo também aumentou em 27% o orçamento da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), buscando melhorar o atendimento a quem sofre com o vício em jogos.
Em declaração recente, a ministra da Saúde, Nísia Trindade, afirmou que o vício em apostas deve ser tratado com a mesma gravidade que o vício em tabaco. “É uma pandemia”, disse a ministra, destacando a necessidade urgente de regular o setor de apostas online para impedir que mais pessoas entrem nesse ciclo vicioso, o que tem causado sérios problemas de saúde mental e afetado famílias, crianças e jovens.
Nas últimas semanas, cresceu a pressão para que o governo adote medidas mais rígidas sobre as apostas, especialmente após um relatório do Banco Central revelar que 3 bilhões de reais do Bolsa Família foram utilizados em plataformas de jogatina em agosto, representando 20% do valor total do benefício. Aproximadamente 5 milhões de beneficiários fizeram apostas, sendo que 70% desse grupo é composto por chefes de família, que destinaram R$ 2 bilhões via Pix para apostas no período.
O Ministério da Saúde também participa de um grupo de trabalho com o Ministério da Fazenda para tratar do jogo patológico. O tema será discutido em uma audiência pública marcada pelo Supremo Tribunal Federal para 11 de novembro, sob a relatoria do ministro Luiz Fux.

