A despeito da mobilização que começa a se formar em Brasília devido ao avanço das bets, os presidentes do Senado, Rodrigo Pacheco, e da Câmara, Arthur Lira, mantêm o silêncio. O Bastidor questionou a assessoria dos dois parlamentares sobre o tema e não obteve resposta.
Pacheco e Lira, inclusive, estão entre os convidados da audiência pública convocada pelo Supremo Tribunal Federal para discutir a lei que regulamenta as apostas esportivas online em novembro. Não se sabe, por ora, o que o deputado e o senador pensam.
O que se sabe é que a bancada do PP, partido de Lira, é das mais atuantes em favor da jogatina no Brasil. O próprio presidente da Câmara enfrentou a resistência dos colegas evangélicos para aprovar em 2023 o projeto de lei que regulamenta as bets.
Veio de um senador do PSD de Pacheco, Ângelo Coronel, uma emenda que trata da exploração de cassinos e jogos online em casas de bingo. O texto foi incluído em outro projeto de lei que tramita no Senado.
O silêncio de Lira e Pacheco contradiz com os últimos movimentos em Brasília. O presidente Lula, como mostrou o Bastidor, passou a cobrar de seus ministros ações firmes contra as ameaças decorrentes do avanço das bets.
Relatório divulgado pelo Banco Central nesta semana mostrou que, entre janeiro e agosto deste ano, as empresas do setor movimentaram entre 18 e 21 bilhões de reais mensais. Parte desse total foi transacionada por brasileiros de baixa renda, inscritos no Bolsa Família.
A pressão sobre as bets fez com que principais empresas do setor se antecipassem e anunciassem a proibição do pagamento de jogos com cartão de crédito. A medida, contudo, é considerada insuficiente.

