Investidores e acionistas da BRF procuram saber quais foram os papeis do chairman Pedro Parente e do presidente do fundo de pensão do Banco do Brasil (Previ), José Maurício Pereira Coelho, na compra de 24,23% das ações da companhia pela concorrente Marfrig.
A operação foi concluída ontem, sexta-feira 21 de maio, com a aquisição de parte das ações da Previ e de outros acionistas. Especulações apontam que a negociação foi conduzida por Parente para influenciar uma eventual troca de comando na empresa. O chairman estava pressionado nos últimos meses pelo fraco desempenho da companhia dona das marcas Sadia, Perdigão e Qualy.
O que apoia a versão de Parente como maestro da operação com a Marfrig foi a recusa dele em ouvir uma proposta de compra de 5% do capital da BRF por representantes de um fundo dos Estados Unidos. Mesmo assim, a BRF respondeu à CVM informando que nada sabia sobre compra de suas ações.
O Cade, órgão de defesa da concorrência, vai julgar a compra de parte relevante do capital da concorrente BRF pela Marfrig. CVM e TCU também vão verificar se as normas regulatórias do mercado de capitais e se os interesses dos funcionários do Banco do Brasil foram preservados.
Se Coelho trabalhou em conjunto com Parente, não informou o presidente do Banco do Brasil, Fausto Ribeiro. O executivo busca um substituto para comandar o poderoso fundo de pensão e vai verificar se a venda das ações da BRF gerou prejuízo para a Previ. Fontes do mercado garantem que sim.
O valor das ações da BRF saltou nos últimos cinco dias de R$ 20,53 para R$ 26,93.
A assessoria da Previ foi procurada, mas não se manifestou.

