Parte das empreiteiras que renegociam os termos dos acordos de leniência firmados na Lava Jato passou a buscar integrantes do PT para que pressionem o chefe da CGU (Controladoria-Geral da União), Vinicius Carvalho, e o Advogado-Geral da União, Jorge Messias, por descontos mais vantajosos sobre as multas que ainda têm a pagar.
O contato começou por meio do PT de São Paulo, em especial pelo deputado federal Rui Falcão e pelo ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto, preso em 2015 pela Lava Jato e condenado por corrupção passiva. Outro que faz a interlocução é o ex-deputado federal João Paulo Cunha, condenado no Mensalão. Como advogado, Cunha atua em causas que discutem as dívidas recorrentes dos acordos de leniência.
Sobram reclamações das construtoras contra Carvalho e Messias. Eles são acusados de deixar as renegociações nas mãos dos técnicos da CGU e AGU. Por isso, a busca por atores políticos. Pessoas ligadas às empreiteiras também querem uma participação ativa de Lula nas renegociações.
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, estabeleceu até a próxima semana para que construtoras e os órgãos do governo federal cheguem a um consenso. Na última reunião, a CGU ofereceu um desconto de 50% sobre as multas, com permissão de uso de prejuízo fiscal, isenção de juros moratórios e multa moratória. As empresas têm até segunda-feira (24) para dar uma resposta.
Muitas não consideram a oferta suficiente e querem mais. Dizem que a CGU não levou em consideração a capacidade financeira das empresas. De acordo com alguns advogados, as propostas do órgão sugerem um perfilamento de 25 a 30 anos com pagamentos anuais de 7% da receita das empreiteiras.
Elas dizem que os técnicos da CGU ignoraram as informações que constam na Ability-to-pay das construtoras, documento que trata justamente da capacidade de pagamento.

