Dados do Banco Central divulgados nesta sexta-feira (31) mostram que as empresas estatais terminaram 2024 com o maior déficit orçamentário da história, alcançando 8,1 bilhões de reais. O resultado só não foi pior porque em dezembro as empresas conseguiram um superávit de 1 bilhão de reais, o que segurou parte do resultado ruim.
Entretanto, para o governo, os números não correspondem à realidade das companhias públicas. Segundo o Ministério da Gestão e Inovação em Serviços Públicos, o déficit orçamentário ocorreu porque as empresas tiveram um aumento considerável nos investimentos ao longo de 2024, totalizando 96 bilhões de reais no período.
O problema na apresentação do ministério é que o cálculo dos investimentos leva em conta empresas que não constam na análise do Banco Central para apurar o déficit ou superávit das companhias públicas. Dos 96 bilhões celebrados pelo governo, por exemplo, 85 bilhões são da Petrobras, que está fora da conta. O mesmo ocorre com a os bancos públicos como Caixa e Banco do Brasil e com a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep).
O déficit apontado pelo Banco Central superou a meta estabelecida na Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2024, que permitia prejuízo de até 7,3 bilhões no período. Um dos motivos apontados pelo ministério para o aumento dos gastos foi o resultado dos Correios, que fecharam o ano com gastos de 3,2 bilhões de reais acima das receitas, quase a metade de todo o prejuízo calculado pelo governo.
O ministério afirma que, mesmo com o déficit, o resultado fiscal da maioria das empresas foi positivo e que os gastos acima das receitas do ano foram feitos com recursos que essas empresas já tinham em caixa, ou seja, gastou-se uma parte maior do que estava na “poupança” do que elas arrecadaram ao longo do ano.
Foi assim, segundo o governo, que apesar do déficit as empresas conseguiram gerar lucro líquido ao longo do ano.

