A busca por um acordo para aumentar a participação da União no controle da Eletrobras não chegou a qualquer resultado até agora. Fontes a par das negociações dizem que as discussões não avançam e que o governo não mostra boa vontade em discutir alternativas ao desejo expresso por Lula em voltar a mandar na empresa.

Participaram dessas reuniões com executivos da Eletrobras os ministros Rui Costa, da Casa Civil, e Alexandre Silveira, de Minas e Energia, que está queimado no PT por defender a privatização da Eletrobras – e também por seus posicionamentos contrários a vontades do partido na Petrobras.

Desde que assumiu o governo, Lula defende que a União tenha mais voz na gestão da Eletrobrás. O argumento é a importância da empresa para o país, pois a companhia tem capilaridade na geração e distribuição de energia. Mas o objetivo é ter mais poder para fazer barganhas políticas, principalmente pelo número de cargos disponíveis. Esse desejo foi criticado por todos, do Congresso ao sindicato dos funcionários da Eletrobras.

A Eletrobras foi privatizada por 100 bilhões de reais em junho de 2022, quando ficou decidido que a União teria 35% das ações da empresa e dois dos nove assentos do Conselho de Administração. Sem sucesso na via política, o governo Lula foi reclamar ao Supremo Tribunal Federal, dizendo que as duas cadeiras não condizem com a participação acionária do Estado na empresa.

A discussão foi encaminhada para Kassio por prevenção, porque o ministro já tinha três processos apresentados ainda durante o debate no Congresso sobre a privatização da Eletrobras. Partiu dele a ideia de levar o tema para conciliação.

O prazo do debate, que deveria terminar neste mês, tem prorrogação garantida até, pelo menos, o início de agosto, devido ao recesso judicial. Em abril, Kassio garantiu que a discussão perdurasse até meados de julho.