Empresários brasileiros não se preocupam com a proeminência cada vez maior de Xi Jinping no regime chinês. Fontes ligadas tanto ao setor privado brasileiro quanto ao governo da China disseram ao Bastidor que a prioridade do empresariado é manter ou reforçar os laços comerciais, a despeito de quaisquer questões domésticas dos dois países.

Até agosto deste ano, o comércio bilateral com a China representou 67% do superávit brasileiro. Dos US$ 52,1 bilhões de saldo acumulado, US$ 35 bilhões vieram de trocas comerciais com os chineses. Os dados são do Indicador de Comércio Exterior do Ibre/FGV.

Xi Jinping aumentou seu controle sobre o Partido Comunista e se prepara para permanecer no poder indefinidamente. O controle social exercido pelo regime é cada vez mais forte e autoritário, alastrando-se pela cultura e pela educação.

Empresas de tecnologia passaram a ser sufocadas pelo governo. As violações sistemáticas de direitos humanos também crescem. Uigures são aprisionados em campos de concentração. Chineses são discriminados em função de seu gênero e orientação sexual. A lista é longa.

Mas os empresários brasileiros, principalmente os exportadores de commodities, preferem seguir a linha estratégica da diplomacia brasileira: sempre pragmática e baseada no princípio da não-interferência em assuntos internos de cada nação. Desde que os negócios prosperem com Xi, não há qualquer problema.