Jorge Ney Viana Macedo Neves será o novo presidente da Apex, órgão ligado ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio. O anúncio foi feito pelo chefe da pasta, o vice-presidente eleito, Geraldo Alckmin.
Conhecido na política como Jorge Viana, foi prefeito de Rio Branco, governou o Acre de 1999 a 2006 – assim como Tião Viana, seu irmão, que comandou o estado de 2011 a 2019 – e tornou-se senador em 2011. É engenheiro florestal e professor de gestão pública.
Mas não são apenas o sangue e o governo do Acre que unem os Viana. A dupla foi implicada na delação que executivos da Odebrecht firmaram junto à Procuradoria-Geral da República, com aval do Supremo Tribunal Federal. Segundo os delatores e a empresa, Jorge pediu 2 milhões de reais à empreiteira em 2010.
De acordo com os executivos da Odebrecht, 500 mil reais seriam doação oficial à campanha de Tião e 1,5 milhão iria via caixa 2. O dinheiro, disseram os executivos, foi registrado pelo Setor de Operações Estruturadas da empreiteira, com aval de Antônio Palocci para ser descontado da cota nacional paga ao Partido dos Trabalhadores pelas obras obtidas em todo o país – a famosa conta de propina do partido na Odebrecht.
Jorge nega as acusações contra ele e o irmão. Em 2017, a Procuradoria-Geral da República afirmou não ter encontrado provas que confirmassem as delações. O Supremo os excluiu das investigações naquele ano.
O senador (dessa vez sem o irmão) também foi alvo de ação do MPF. Foi réu por ter assinado contrato sem licitação para a Segurança Pública estadual, em 2006. O processo foi arquivado. A justificativa foi a necessidade de sigilo.

