A Reag Investimentos se tornou alvo de um processo sancionador aberto pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) devido à forma como assumiu o controle acionário da plataforma GetNinjas, que faz a intermediação entre profissionais e contratantes de serviços, como pedreiros, cuidadores de idosos e diaristas, entre outros.
Segundo a CVM, o mercado não foi devidamente avisado sobre o aumento da participação da Reag no bolo acionário da GetNinjas. Uma resolução do órgão obriga acionistas a informarem ao mercado quando adquirem uma quantidade relevante do capital de uma companhia
A Reag passou a comprar mais ações da GetNinjas depois de divergências com o fundador da plataforma, que pretendia distribuir o capital da empresa entre os acionistas.
Depois que a Reag ultrapassou o patamar de 25% das ações, foi acionada a chamada Poison Pill, na qual o acionista que está aumentando a participação em determinada empresa se compromete a fazer uma oferta pública de aquisição, para consolidar a posição dentro daquele negócio.
A oferta pública da GetNinjas foi realizada neste ano e levou a Reag a atingir, naquele momento, 66% do controle acionário. Atualmente, a participação da administradora chega a 70%. A GetNinjas vale hoje cerca de R$ 230 milhões, de acordo com a cotação de suas ações na B3.
Segundo a CVM, não há prazo para que o processo seja julgado. As defesas das partes envolvidas foram citadas na segunda-feira (16). Depois das manifestações, será definido um relator para começar o julgamento. Embora o processo seja público, não é possível consultar detalhes.
No dia 9, a GetNinjas anunciou uma oferta de ações para aumentar o capital social da empresa em até 585 milhões de reais.
Além de investimentos em empresas, a Reag administra fundos de investimentos. Um dos seus fundos é o Location, que tem participação na Copape, distribuidora de combustíveis suspensa pela ANP e investigada pelo Ministério Público de São Paulo por sonegação de impostos e suspeita de ligação com a facção Primeiro Comando da Capital, o PCC.

