Marcelo Gasparino, vice-presidente do conselho de administração da Eletrobras, foi advertido três vezes nos últimos 30 dias. Os motivos são a divulgação de documentos sigilosos no LinkedIn, por acusar colegas de conselho e por criticar publicamente decisões aprovadas pelo colegiado da empresa.
As informações constam de relatório produzido pela diretoria de Governança e Sustentabilidade da Eletrobras e divulgado aos investidores no domingo (27). Gasparino é conselheiro da Eletrobras desde agosto de 2022, está em sua terceira passagem pela empresa. Ele foi eleito na classe dos independentes. Nesta terça-feira (29), disputará nova recondução, mas pode ser preterido por conta das advertências.
O caso começou em 23 de março, quando Gasparino afirmou que o conselheiro Pedro Batista — usando apenas as iniciais do colega, que também foi eleito na classe dos independentes — ignorou conflito de interesses ao discutir sobre a reorganização acionária da empresa, com conversão de ações preferenciais em ordinárias, mesmo sendo acionista da Eletrobras.
Na mesma publicação, Gasparino, que é advogado, criticou a redução no número de cadeiras destinadas aos conselheiros independentes da Eletrobras — de 11 para 10. Essa redução foi resultado da negociação entre o governo Lula e a Eletrobras, por mais espaço à União na administração da empresa.
Por conta dessa postagem, e de outras três complementares, publicadas em 24, 25 e 26 de março, Gasparino foi advertido pela primeira vez, em 28 de março, pelo conselho da Eletrobras.
Entre 10 e 13 de abril, em nova série de postagens de Gasparino, questionou a possibilidade, em caso de empate, de aprovação de novos conselheiros que receberem maior número de votos de conselheiros independentes. O questionamento também foi enviado à Comissão de Valores Mobiliários por Gasparino.
O advogado citou esse questionamento à CVM como justificativa para divulgar suas insatisfações nas redes sociais. Essa segunda série de postagens fez com que o conselho de administração da Eletrobras lhe aplicasse nova advertência em 16 de abril.
A terceira advertência, aplicada em 26 de abril, considerou as duas punições anteriores e nova publicação feita por Gasparino em 25 de abril. Nesta última, o advogado expôs no LinkedIn conversa que manteve com um jornalista por WhatsApp.
Na postagem, Gasparino diz ter sido vítima de “matéria dolosa” elaborada para prejudicá-lo. A advertência foi aplicada com o argumento de que ele divulgou material sigiloso.
Clique aqui para ler o relatório da Eletrobras.

