Jair Bolsonaro indicou, no último dia 15, quatro nomes sem experiência em saneamento básico para a diretoria da Agência Nacional das Águas. A área de atuação foi incluída nas competências da agência reguladora pelo marco legal do setor.

Essa inexperiência tem preocupado as empresas do setor, segundo uma fonte ouvida pelo Bastidor. Os indicados foram: Veronica da Cruz Rios, Filipe de Mello Sampaio Cunha, Herbert Drummond e Maurício Abijaodi Lopes de Vasconcellos. Todos ainda precisam ser aprovados pelo Senado.

Rios e Vasconcellos foram indicados por Rogério Marinho, segundo duas fontes – uma delas da ANA e outra ligada às empresas do setor. Veronica é secretária de Fomento e Parcerias com o Setor Privado no Ministério do Desenvolvimento Regional e o nome com menor resistência junto ao setor privado por sua visão voltada ao mercado. 

Vasconcellos é servidor de carreira e atual corregedor da ANA. Cunha, que foi o nome do Palácio do Planalto, era assessor especial de Assuntos Institucionais do Ministério de Economia e hoje atua como subchefe adjunto de Gestão Pública da Presidência da República. O indicado é irmão do braço direito de Tarcísio de Freitas no Ministério de Infraestrutura, Marcelo Sampaio – casado com a filha do general Luiz Eduardo Ramos.

E Drummond já trabalhou em diversos órgãos do governo federal, como nos conselhos de administração de Codevasf, Dnit e Companhia de Docas da Bahia, além de ter sido secretário de Transportes e de Política e integração do Ministério dos Transportes. Essas passagens se deram desde o governo de Fernando Collor de Mello, passando pelas gestões Lula e Dilma Rousseff.

Agência ignorada

Entre as agências, a ANA sempre ficou meio esquecida. Senadores costumavam declinar indicações à autarquia para não queimar suas vagas em órgãos reguladores. Mas o jogo virou desde que o saneamento foi incluído no rol de competências. Os investimentos na área, segundo levantamentos do setor, podem ultrapassar R$ 1 trilhão nos próximos 20 anos.

Tanto que a escolha dos quatro nomes motivou uma disputa dentro do Executivo, envolvendo principalmente Rogério Marinho e Paulo Guedes. O ministro da Economia tinha interesse em nomear toda a diretoria da agência, mas Marinho foi mais rápido.

Atualmente, Guedes tem um afilhado na ANA: Vitor Saback. Mas o atual diretor da agência é cotado para ocupar uma cadeira no Cade em 2022 e tem o apoio do ministro.