À medida que aumenta a pressão do ministro Alexandre Silveira (Minas e Energia) para emplacar o aliado Pietro Mendes como diretor-geral da ANP, a Agência Nacional de Petróleo, cresce o temor de servidores com o que julgam riscos de o órgão ficar a reboque de interesses econômicos ou ideológicos.

No mês passado, o Bastidor noticiou que as articulações de Silveira em benefício do aliado estavam avançadas. Mais recentemente, o favoritismo de Mendes aumentou.

As preocupações iniciais de membros da ANP diziam respeito a uma provável regulação do preço do gás. Agora, vai além. A inquietação escalou com a pressão que Silveira exerceu na Aneel, a Agência Nacional de Energia Elétrica, para concretizar a venda da Amazonas Energia para a Âmbar, dos irmãos Wesley e Joesley Batista.

A avaliação é que Mendes, caso assuma, forçará agendas do governo a pedido do ministro. Se confirmado, a primeira missão será tranquilizar os servidores da ANP a respeito de suas intenções.

 O mandato de Rodolfo Saboia, atual diretor-geral, termina no fim do ano. O nome de Mendes, se for mesmo o escolhido pelo presidente Lula, dependerá de aprovação no Senado.

Mendes é o atual presidente do conselho de Administração da Petrobras e o Secretário de Petróleo, Gás Natural e Biocombustível do Ministério de Minas e Energia. A atuação nos dois postos já foi contestada na justiça.