O senador petista Jean Paul Prates trabalha tanto para ser presidente da Petrobras que, em conversas reservadas com políticos e gente do mercado, fala da estatal como se já estivesse no comando dela. Está até sondando nomes para montar sua equipe.
Falta combinar com Lula e, como antecipou o Bastidor, com a Lei das Estatais. Prates foi candidato à Prefeitura de Natal em 2020 e a suplente nas eleições deste ano, além de ser dirigente do PT no Rio Grande do Norte. A lei proíbe a nomeação para o cargo de quem tenha concorrido nos últimos três anos – mesmo caso de dirigentes partidários.
Para justificar o que não tem explicação legal, Prates anda por todo canto com um parecer um tanto criativo. Nele, afirma-se que ser candidato numa eleição não é “trabalho vinculado a organização, estruturação e realização de campanha eleitoral”. É mais fácil achar gasolina a cinco reais do que lógica no parecer de Prates.
Curiosamente, Prates tentou barrar, na Justiça, a posse de Caio Paes de Andrade como presidente da Petrobras. Argumentou que a nomeação do executivo feria… a Lei das Estatais. Caio Paes de Andrade, disse Prates, não teria a qualificação necessária para assumir o posto. Na semana passada, a Justiça do Rio indeferiu a liminar pedida pelo senador.
No fim do ano, encerra-se o mandato de Prates. Ele assumiu o cargo por ser suplente da então senadora Fátima Bezerra, eleita governadora do Rio Grande do Norte em 2018. Se o petista não assumir a Presidência da Petrobras, pode voltar à consultoria privada de óleo e gás, onde fez carreira, e dar conselhos aos clientes sobre a Lei das Estatais.

