A Superintendência-Geral do Conselho Administrativo de Defesa Econômica aprovou a compra da Amazonas Energia pela Âmbar. Apesar da validação, o negócio terá de aguardar pelo fim de uma disputa judicial.

Alexandre Barreto, superintendente-geral do Cade, argumentou em seu parecer que a compra não traz riscos ao mercado, pois a participação da Âmbar, empresa da J&F dos irmãos Joesley e Wesley Batista, no setor energético é inferior a 30%. A análise também considera os novos ativos.

No seu cálculo, Barreto considera, inclusive, ativos ligados indiretamente à Âmbar, como plantas de geração energética da Eldorado Celulose. Apesar de a participação da Âmbar no setor de distribuição de energia ficar nos 2%, a parcela dominada no mercado de geração energética já é considerável: 29% na região Sul e 20% na Norte.

A compra da Amazonas Energia é justificada pela Âmbar ao Cade como uma boa oportunidade de negócio num setor complementar ao que ela já atua. A aquisição teve mesmo esse objetivo, pois, em junho deste ano, a companhia energética da J&F comprou 13 termelétricas da Eletrobras por 4,7 bilhões de reais.

A operação foi concretizada porque a antiga estatal decidiu se desfazer de alguns ativos após a privatização. As 13 termelétricas podem produzir 1,8 gigawatts, fazendo com que a capacidade da Âmbar em gerar energia dobre – 11 dessas plantas atendem à Amazonas Energia.

Esse aumento no volume de produção transformou a Âmbar na terceira maior empresa do mercado. As duas primeiras são a Petrobras e a Eneva, que pertence a André Esteves, do BTG. Fontes da J&F admitem que o objetivo da compra foi justamente reduzir a vantagem da empresa de Esteves.

Leia o que o Bastidor já publicou sobre o assunto e o parecer registrado pelo superintendente-geral do Cade, Alexandre Barreto, em 21 de novembro e publicado no Diário Oficial da União na segunda-feira (25):