Se há um setor no Brasil que não pode falar em crise, é o dos planos de saúde. Segundo dados divulgados pela Agência Nacional de Saúde Suplementar, o setor registrou lucro líquido de 11,1 bilhões de reais em 2024, um aumento de 271% em relação ao ano anterior.
Este é o melhor resultado dos planos de saúde desde 2020, início da pandemia da Covid-19, quando o lucro foi de 17,6 bilhões de reais.
Entra as operadoras que mais lucraram em 2024 estão Sul América (2,1 bilhões de reais), Bradesco Saúde (1,5 bilhão de reais), Notre Dame (850 milhões de reais), Hapvida (785 milhões de reais) e Amil (620 milhões de reais).
Enquanto o lucro aumenta, cresce também a insatisfação dos beneficiários. O número de reclamações sobre mensalidades e reajustes cresceu 32%, de 15.580, em 2023, para 20.587, no ano passado.
No ano passado, foram registradas na ANS 375.788 notificações de intermediação preliminar (NIP), que são pedidos de intermediação para problemas de clientes com os planos. Desse total, 103.464 foram sobre regras de acesso ao atendimento; 64.721, sobre reembolso e 55.788, sobre de atendimento; e 24.419 queixas sobre rescisão contratual.
De acordo com informações disponíveis no site da ANS, as operadoras que tiveram mais reclamações no último ano foram Bradesco Saúde (40.793), Notre Dame (34.652), Unimed RJ (26.618), Amil (25.745) e Sul America (23.134).
Como mostrou o Bastidor, a Amil fechou os comentários em suas redes sociais para evitar as queixas dos consumidores.
A ANS foi presidida até o ano passado por Paulo Roberto Rebello. O presidente Lula indicou para sua vaga o petista Wadih Damous, atual chefe da Secretaria do Consumidor no Ministério da Justiça, que ainda precisa passar por sabatina no Senado. Damous conta com o apoio de empresários do setor próximos ao presidente.

