A decisão do presidente Lula de renovar o corte de impostos federais sobre os combustíveis apenas adia a busca por uma solução que não agradará ao mercado, ao consumidor e sairá caro para o governo.
Com a Medida Provisória editada, Lula adiou por mais dois meses o benefício para a gasolina e por um ano para o diesel. Fez isso porque soube que levará ao menos dois meses para colocar Jean Paul Prates na presidência da Petrobras e trocar a diretoria.
O corte dos impostos tem alcance limitado. Reduz a arrecadação de um governo que precisa de dinheiro e influencia pouco no preço final. Mas manter o benefício evita um aumento imediato nas bombas, que seria péssimo para a imagem do governo.
O governo Lula não quer dar espaço para a impopularidade. A campanha eleitoral e o contexto atual dão a Lula um início de governo difícil, sem a aquela fase inicial de benevolência e popularidade em alta.
A solução que o governo espera é, com o controle da estatal, mudar sua política de preços. Vai custar muito mais caro que o corte de impostos, seja em subsídios, seja nos efeitos nos juros e no câmbio que virão da reação do mercado financeiro.
A discussão sobre a política de paridade de preços da Petrobras é empurrada desde a greve dos caminhoneiros de 2018, no governo Temer. O melhor deve ser estudar e buscar uma solução, ainda que incômoda. Gambiarras como corte de impostos e subsídios via Petrobras sempre custam mais caro.

