A juíza Alessandra Gontijo do Amaral, da 19ª Vara Cível e Ambiental de Goiânia, aceitou o pedido de recuperação da AgroGalaxy, uma das principais varejistas de insumos agrícolas do país. Em meados de setembro, a empresa afirmou não ter condições de honrar pagamentos que estavam prestes a vencer.
A recuperação judicial da AgroGalaxy inclui a holding e outras 12 empresas que fazem parte do grupo. Segundo o processo, as empresas têm uma dívida estimada em 1,5 bilhão de reais, com juros anuais que passam de 600 milhões de reais. O endividamento, conforme a empresa, aumentou substancialmente neste ano, com o aumento da inadimplência de produtores rurais.
A empresa atende principalmente pequenos e médios agricultores, com área plantada de até 10 mil hectares. O grupo tem 149 lojas espalhadas pelo país e emprega diretamente 2 mil pessoas. Em 2023, a AgroGalaxy movimentou cerca de 9,3 bilhões de reais.
No pedido de recuperação judicial, a AgroGalaxy argumentou que a crise econômica, os juros altos e os sucessivos eventos climáticos adversos que atingiram o Brasil nos últimos anos prejudicaram o agronegócio como um todo e levaram produtores a terem dificuldade de pagar suas dívidas com a empresa.
Entre os credores da AgroGalaxy estão alguns dos principais bancos do país, como BTG, Santander e o Banco do Brasil. Na decisão, a juíza determinou que as instituições financeiras não retenham valores que a empresa tem a receber, para preservar a tentativa de recuperação do grupo. Alguns desses bancos tentaram impedir o avanço da recuperação judicial, mas os pedidos foram negados pela juíza.
Alessandra Gontijo do Amaral nomeou os advogados Miguel Ângelo Sampaio Cançado e Aluízio Ramos como administradores judiciais durante o período de recuperação da empresa. No dia em que anunciou o pedido, a AgroGalaxy demitiu o então CEO e cinco membros do conselho de administração.
A notícia de que o pedido judicial acabou aceito foi bem recebida no mercado. Depois de uma queda considerável nos últimos dias, no início da tarde o valor da ação da AgroGalaxy subia 5,08% na B3.
Leia as íntegras da decisão judicial e do pedido da AgroGalaxy:

