A retaliação do presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), a Lula envolve a promessa do deputado em distribuir entre União Brasil, PP, Republicanos, PDT e PSB as vice-presidências da Caixa Econômica.
O combinado era que nesta semana Lula anunciaria as mudanças no banco estatal. Mas, como mostrou o Bastidor, o presidente mandou um recado público a Lira dizendo que só ele pode mexer nos cargos do governo federal.
O presidente da Câmara já havia anunciado a líderes do Centrão que Lula havia determinado que as vice-presidências da Caixa não ficariam somente com o PP, mas também com outros partidos aliados. Nomes para os postos já começaram a circular entre o Congresso e o Palácio do Planalto.
O PSD, que já externou a insatisfação com o espaço destinado à bancada do partido na Câmara no governo, voltou a cobrar da articulação política cargos na Funasa (Fundação Nacional da Saúde) e liberação de recursos para os hospitais federais do Rio de Janeiro.
O sonho do partido é assumir o Ministério da Saúde com o senador Otto Alencar (BA). Sem o posto, a legenda encaminhou ao governo o nome do ex-vice-governador do Ceará Domingos Filho como indicação para presidir a Funasa. União Brasil e Republicanos também querem o posto.
A vingança do Centrão foi pegar carona na obstrução das bancadas evangélica e ruralista devido a votações no Supremo Tribunal Federal sobre o aborto e o marco temporal para terras indígenas.
Lira não deu previsão de quando os trabalhos da Câmara voltarão ao normal e encontrou apoio de aliados do Centrão.

