Conselho independente da Odebrecht e conselheiro informal de Alexandre Silveira, o ex-ministro Bento Albuquerque ofereceu a seu sucessor na pasta de Minas e Energia uma nova opção para a Secretaria-Executiva: Marisete Dadald. O secretário-executivo é uma espécie de número 2 de qualquer ministério.
Marisete ocupou a posição nos anos em que Bento esteve à frente da pasta, durante o governo de Jair Bolsonaro. Tudo passava por ela. Foi Marisete a principal articuladora da privatização da Eletrobras. Hoje, ela está no conselho da empresa.
Bento e Marisete lideram um grupo influente no setor de energia e, notadamente, junto ao Ministério que deixaram ano passado. Como o Bastidor noticiou, Bento, agora como consultor privado e conselheiro independente da Odebrecht, mantém conversas regulares com Silveira sobre o funcionamento da pasta – e também sobre a composição dela. (Silveira era senador, foi indicado em articulação de Lula com Gilberto Kassab e não entende do setor.)
Segundo duas fontes que participam das negociações para a nomeação dos principais cargos do ministério, que seguem travados na Casa Civil, Bento indicou três pessoas de confiança a Silveira. O ex-ministro nega as indicações, embora elas sejam de conhecimento comum na cúpula das Minas e Energia e no Palácio do Planalto.
A principal indicação é a de Bruno Eustáquio, nome preferido para a Secretaria-Executiva da pasta. Trata-se de um grupo fechado: Bruno era adjunto de Marisete – a adjunta de Bento. Também foi fundamental na gestão do setor de energia no governo Bolsonaro.
Bruno trabalha como conselheiro em duas empresas privadas: a Santo Antônio Energia e na concessionária que administra o Aeroporto de Viracopos. A empresa que comanda uma das hidrelétricas do Rio Madeira, em Rondônia, também faz parte do grupo Novonor – novo nome da Odebrecht.
A Casa Civil vetou Bruno Eustáquio, mas Bento e Silveira não desistiram da nomeação. Caso a resistência seja insuperável, Marisete é o plano B para o cargo.

