Em mais uma etapa de um processo que promete ir longe, a Prefeitura de Maceió quer adiar uma audiência pública do caso Braskem. Trata-se do desastre urbano provocado pela mineração de sal da gigante na cidade; a ação da empresa causou o afundamento de bairros e afetou cerca de 55 mil pessoas.
A audiência pública – ou “escuta pública” – estava prevista para amanhã (quarta). Nela, a Braskem apresentaria aos moradores de Maceió um plano de ações sociais para minimizar o impacto de suas atividades na região – sob risco de desabamento, os moradores tiveram que abandonar suas casas.
Analistas da Prefeitura de Maceió, porém, afirmam, em ofício enviado ao Ministério Público e à empresa, que o material repassado até agora resume-se a um apanhado vago de intenções. No entendimento dos técnicos, não houve pesquisa sobre as necessidades concretas dos moradores e da região. No documento, eles apontam uma série de falhas no trabalho da Braskem. Cobram, mais uma vez, a íntegra dos relatórios que embasaram as recomendações que pretendem fazer aos cidadãos do município.
No ofício, a Prefeitura critica diretamente o trabalho da Diagonal Urbana, empresa subcontratada pela Braskem para prestar esse serviço. A Diagonal pertence a Álvaro Jucá, irmão de Romero Jucá. Foi investigada na Lava Jato e tem relação antiga com a Odebrecht, principal acionista da Braskem.
Em documentos internos, a Braskem refere-se ao afundamento de Maceió como “evento geológico”. Estima gastar até 7,1 bilhões de reais para resolver o “evento”.

