Senador pelo Distrito Federal, Izalci Lucas apresentou a Renan Calheiros um relatório complementar ao do relator da CPI da Pandemia, em que liga o suposto esquema de corrupção na saúde do Distrito Federal durante a crise de Covid-19 a Arthur Lira, Ciro Nogueira e Ricardo Barros, o trio do PP.
Calheiros acolheu. Se aprovado seu relatório, que está em votação nesta terça-feira, 26 de outubro, irá encaminhar a complementação de Lucas, a depender do foro de cada personagem, para o Ministério Público Federal e para a Procuradoria-Geral da República.
De acordo com o Ministério Público do Distrito Federal, os valores desviados do orçamento da saúde da capital federal chegam a 46 milhões de reais.
Izalci aponta Francisco Araújo, ex-secretário de Saúde do DF e ex-presidente do Instituto de Gestão Estratégica do Distrito Federal (Iges-DF), como líder de uma organização criminosa que só chegou à função na capital federal por indicação do PP.
O senador do Distrito Federal acrescenta que Araújo faz parte do mesmo grupo de operadores políticos do PP, atendendo a Ciro Nogueira, Arthur Lira e Ricardo Barros.
O grupo, além de Araújo, inclui Adeílson Loureiro Cavalcante, ex-secretário-executivo do Ministério da Saúde na gestão de Michel Temer, e Gilberto Occhi, que até agosto esteve à frente do Iges-DF.
Occhi, o leitor lembra, foi ministro da Saúde do governo Temer e presidente da Caixa Econômica Federal na gestão de Dilma Rousseff.
Apesar dos apontamentos políticos e de acusar Francisco Araújo de ser operador de Ciro Nogueira, presidente do PP e ministro da Casa Civil de Jair Bolsonaro, Izalci Lucas não pede o seu indiciamento.
Lucas é pré-candidato ao governo do Distrito Federal, adversário do governador Ibaneis Rocha e, durante toda a CPI da Pandemia, tentou, sem sucesso, avançar nas investigações tocadas pelo Polícia Federal e Ministério Público dos desvios da saúde em Brasília.

