A alta demanda dos investidores na segunda etapa da privatização da Sabesp, da oferta de 17% das ações ao mercado, tornou o processo mais bem sucedido do ponto de vista financeiro. Foi a salvação em relação à primeira etapa, quando a Equatorial venceu a disputa para ser o acionista de referência porque a Aegea, sua única concorrente, desistiu de participar.

Uma avaliação real do desempenho fica difícil, dado que o governo paulista diz que o valor de R$ 67 por ação superou as expectativas, mas não diz qual era o preço esperado. Assim, encerrado o processo, tanto governo quanto mercado podem dizer que foi um sucesso, mas sem dar uma escala.

O governo de São Paulo era dono de 50,3% das ações. Vendeu 15% à Equatorial e outros 17% no mercado; ficará com 18%. A fatia de 17% teve uma demanda de R$ 187 bilhões, 30 vezes mais que o esperado, o que mostra o enorme desejo de investidores brasileiros e estrangeiros por uma empresa considerada de boa qualidade, que opera no maior mercado do país e não tem problemas para universalizar o serviço de água e esgoto – tudo isso num momento de poucos negócios do tipo.

Estes fatores explicam a alta ansiedade pela venda. Eleito em 2018, João Doria foi o primeiro candidato a dizer que venderia a Sabesp. Isso gerou, a partir de 2019, uma expectativa crescente. Eram semanais as lives de ansiosos investidores com integrantes do governo para saber das perspectivas do processo – que não foi finalizado por resistências do próprio Doria em perder verbas da empresa para seu projeto de despoluição do rio Pinheiros.

Além de todas as vantagens de mercado, como toda estatal a Sabesp gasta mais do que as empresas privadas para produzir. Portanto, esta gordura pode ser facilmente transformada em lucro com cortes de custos. Todos os números relativos a isso estão à disposição dos investidores há anos, por isso a demanda pelas ações foi tão alta.

O governo paulista terá problemas agora com a tentativa do PT de anular o processo no Supremo Tribunal Federal. Mas a venda já foi feita, o que torna mais difícil reverter tudo. A resistência à privatização da Sabesp sempre existiu não apenas no PT, mas dentro do governo paulista, tanto por motivos ideológicos, como práticos: afinal, a empresa tinha vantajosos cargos para barganha política.