Paulo Guedes e empresários amigos do governo de Jair Bolsonaro não param de tomar tocos de executivos sondados a integrar o conselho de Petrobras. É um “não” seguido de outro, segundo dois nomões que declinaram o convite – e cujos conhecidos, indicados por ambos, também nem quiseram conversa. 

O ministro da Economia e o Planalto precisam encaminhar mais sete nomes para compor o conselho da Petrobras. Somente assim a empresa apreciará a indicação de Caio Paes de Andrade à Presidência da petroleira. (A eleição de José Mauro Coelho, que ainda está no comando da empresa, envolveu uma chapa com outros sete executivos no conselho; a saída de Coelho exige a saída dos demais e a consequente substituição de todos.)

Enquanto o governo toma toco de quem está de fora, quem está dentro – os responsáveis pela governança da Petrobras – quer dar toco em Paes de Andrade. Eles avaliam dar parecer desfavorável ao assessor de Guedes, em razão da inexperiência dele no setor de óleo e gás. A ausência de currículo na área não foi problema antes. Mas antes não havia a pressão do governo para mudar a política de preços da empresa. 

O avanço de Bolsonaro e Guedes na Petrobras arrisca criar uma guerra entre o governo e os executivos de carreira da Petrobras, cada vez mais incomodados com a postura “desabusada” do ministro, de acordo com um deles. 

Os envolvidos duvidam que a complexa operação de troca da cúpula da Petrobras, ainda que exitosa, ocorra antes de julho.