Todo o mercado financeiro lerá com atenção incomum a ata da última reunião do Copom, que será divulgada nesta terça-feira, em busca de sinais de divisão dentro do colegiado. O que é um tema delicado na área econômica pode piorar com o barulho político em torno da sucessão do presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto.
Como é de praxe, a ata vai detalhar por que o Copom decidiu pela redução de 0,25 ponto percentual na Selic, que caiu de 10,75% para 10,5% ao ano. A questão delicada é que cinco diretores, indicados pelo governo Bolsonaro, votaram pela redução de 0,25 ponto, enquanto os quatro diretores indicados pelo governo Lula votaram por uma redução de 0,5 ponto.
O mandato de Campos Neto termina no final do ano e o próximo presidente será Gabriel Galípolo, indicado à diretoria pelo governo Lula. Diante da votação da semana passada, a impressão do mercado é que a próxima diretoria do BC pode ser subserviente ao governo, como a de Alexandre Tombini foi ao governo Dilma Rousseff.
Daqui até o final do ano haverá barulho político contra Campos Neto e em favor de cortes de juros mais acelerados. A depender da reação à ata nos negócios na B3 nesta terça, virão discursos contra o mercado, o Banco Central, Campos Neto e em favor de uma política econômica expansionista. Em geral, a presidente do PT, Gleisi Hoffmann, fala pelo governo neste sentido – quando o próprio presidente Lula não entra no assunto.
O barulho político tende apenas a provocar mais agitação no mercado, com a elevação das expectativas na curva de juros e no câmbio. O resultado inevitável é que o custo financeiro dessa barulheira entre política e mercado recairá nas contas públicas, pois cada oscilação nos preços altera as despesas para o país se financiar.

