O coordenador das discussões sobre moeda digital do Banco Central, Fábio Araújo, disse há pouco em entrevista coletiva que é muito controversa a discussão sobre se as moedas digitais soberanas têm de manter, necessariamente, valor igual ao da sua correspondente moeda convencional.
“Há questões técnicas. Como prestam serviços diferentes, podem ter valores diferentes”, explicou Araújo ao responder perguntas de jornalistas nesta segunda-feira 24 de maio. O objetivo do BC é garantir a paridade das duas cotações.
Outro ponto importante esclarecido por Araújo foi o papel dos bancos na operação de uma moeda digital brasileira. Ele disse que não haverá a possibilidade de as pessoas usarem o real digital sem a intermediação de uma instituição financeira submetida à regulação do Banco Central.
Araújo insistiu que há muito o que se discutir com diversos segmentos da sociedade brasileira para definir um cronograma de operação do real digital. Ele também ressaltou que o real digital não será um cripto-ativo porque o Banco Central será o garantidor final dessa moeda.
Outros países já estão mais adiantados que o Brasil no lançamento de suas moedas soberanas digitais. Bahamas lançou em outubro de 2020 o Sand Dollar. A China já tem projetos pilotos em andamento e deve usar sua moeda digital com estrangeiros nos jogos olímpicos de inverno em 2022. Nos Estados Unidos, o tema é tratado pelo Fed e pela Digital Dollar Foundation. Suécia e Coreia do Sul também têm projetos.

