O Itaú voltou à Justiça nesta quinta-feira (30) contra o seu ex-diretor financeiro (CFO) Alexsandro Broedel. O banco acusa seu ex-funcionário de obter vantagem indevida e cobra parte do que foi pago a ele como remuneração, algo em torno de 3,3 milhões de reais.

Na peça protocolada na 1ª Vara Empresarial e de Conflitos de São Paulo, o Itaú repete as acusações que se tornaram públicas em dezembro do ano passado, quando o banco levou o caso aos tribunais. Nesse caso, o banco cobra uma indenização de 4,8 milhões de reais por um suposto conflito de interesse do ex-funcionário.

A defesa do Itaú, feita pelo escritório de Sergio Bermudes, diz que Broedel atuava como consultor e parecerista na Broedel Consultores e que tinha como sócio Eliseu Martins, professor e um dos mais reconhecidos especialistas de contabilidade no país, que prestava serviço ao banco. A informação, segundo o Itaú, nunca foi declarada internamente.

De acordo com a acusação, Broedel, Martins e os filhos do especialista montaram um esquema que tinha como objetivo uma “fraude rasteira”: garantir que o ex-CFO recebesse aproximadamente 40% de todos os valores pagos pelo Itaú a Martins por meio de contratações direcionadas que chegam ao número de 40.

O especialista foi o prestador de serviços do Itaú que mais foi contratado para a emissão de pareceres na história do banco, segundo a defesa.

O Itaú aponta para um possível motivo da existência do suposto esquema. Segundo o banco, Broedel estava endividado e se “encontrava em situação financeira completamente incompatível com as funções por ele exercidas”.

Além de Broedel, são citados na ação as empresas Care Consultores, Evam Consultores, além de Martins e seus filhos. 

O Bastidor procurou Broedel. A assessoria enviou a mesma nota oficial que foi divulgada em dezembro, quando o Itaú o processou pela primeira vez.

Leia a íntegra:

Sobre acusações infundadas e sem sentido feitas pelo Itaú a Alexsandro Broedel, informamos que:

 Alexsandro Broedel sempre se conduziu de forma ética e transparente em todas as atividades ao longo dos seus 12 anos no banco – algo nunca contestado pelo Itaú, que tem uma rigorosa e abrangente estrutura de controle e compliance, própria de um grupo financeiro com seu porte e importância na economia brasileira.

O parecerista mencionado pelo Itaú já prestava serviços ao banco há décadas, muito antes de Broedel ser convidado para a diretoria da instituição. Os serviços mencionados eram do conhecimento do Itaú e requeridos por diferentes áreas do banco. 

Causa profunda estranheza que o Itaú levante a suspeita sobre supostas condutas impróprias somente depois de Broedel ter apresentado a renúncia aos seus cargos no banco para assumir uma posição global em um dos seus principais concorrentes.

Alexsandro Broedel tomará as medidas judiciais cabíveis neste caso.

Leia a ação protocolada pelo Itaú: