Não caiu bem entre os grandes bancos nem na Faria Lima a informação de que o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, e seu provável sucessor, Davi Alcolumbre, atrelaram a sabatina de Gabriel Galípolo à resolução da crise das emendas.
Como havia adiantado o Bastidor, caminhava para uma transição suave a substituição de Roberto Campos Neto por Gabriel Galípolo no comando do Banco Central. O nome de Lula obteve aval dos maiores banqueiros do país, não melindrou o PT e conquistou as principais lideranças do Senado.
A intenção de Lula era fazer a indicação em agosto. Não contava, contudo, com a disputa em torno das emendas após decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal.
Ao contra-atacar o governo, Pacheco e Alcolumbre condicionaram à tramitação do nome de Galípolo no Senado a uma solução definitiva às emendas. Os senadores querem voltar a receber as emendas – não importa tanto qual seja a saída para isso.
A dupla do Senado, contudo, parece não ter calculado que a transição de Campos Neto para Galípolo não é uma pauta apenas do governo Lula. É uma demanda do PIB, após longa e exaustiva articulação entre as partes.
Ontem à noite, os maiores banqueiros do país mandaram o recado ao Senado: não se brinca com a troca na Presidência do BC. Se não voltarem atrás, Alcolumbre terá uma campanha mais difícil do que imagina.
Espera-se uma solução em pouco tempo. De modo que a transição siga o cronograma precipitado pelo mercado.
Após oficializado por Lula, Galípolo terá que passar por sabatina na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado. Depois, o nome vai a plenário. O comando da Casa tem a prerrogativa de marcar a data da votação.
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