A Justiça de São Paulo ampliou o cerco ao empresário Guimar Alves, acusado de ocultar seu patrimônio para não pagar credores. O processo corre em sigilo, mas o Bastidor teve acesso com exclusividade à decisão do juiz Luiz Raphael Nardy Lencioni Valdez, da 6ª Vara Cível de Santo Amaro.

Segundo os autos, Guimar pagava pessoas pobres, como beneficiários do Bolsa Família, e as colocava como proprietárias de fazendas em empresas dele.

No despacho, o magistrado incluiu a nora de Guimar, Karine do Espírito Santo, e a empresa KL Factoring Ltda entre os alvos de bloqueio dos bens. Os credores comprovaram que houve transferências de imóveis que envolveram a KL Factoring e a Credimais.

Formalmente, nenhuma delas pertence a Guimar. A KL Factoring, que tem como objeto social o fomento mercantil, aparece no nome de Karine, sua nora, que é arquiteta. Ela é a única sócia da empresa, apesar do seu marido e filho de Guimar, Leandro Braga, ser um dos fundadores. A manobra é vista como uma forma de colocar alguém que não tem conexão parental direta com o empresário.

A Credimais é velha conhecida da Justiça. Já foi alvo de bloqueio. A empresa está em nome de Carla Tereza Alves, que na verdade trabalha em pesqueiro sediado na cidade de Nerópolis, em Goiás, com uma renda incompatível com o capital social da empresa.

Mesmo com o bloqueio, houve transferência de dois imóveis da Credimais para a KL Factoring: uma mansão que é ocupada pelo próprio Guimar e a sede industrial da Embalagens Piloto, que pertence ao empresário.

A decisão da Justiça de São Paulo, de novembro, antecipou uma outra do Tribunal de Justiça de Goiás, que manteve o bloqueio de 34 imóveis do rei do laranjal.

 Leia a decisão da Justiça de SP: