Ainda não se sabe como um rombo de quase 41 bilhões de reais passou desapercebido pelas auditorias da PwC nas contas das lojas Americanas. Ex-auditores da PwC apontaram ao Bastidor que a incongruência contábil pode ter surgido com a compensação de passivos com ativos.
Essa espécie de permuta é feita com fornecedores e outros empreendimentos que trabalham com a rede de varejo. Ao invés de trocar dinheiro de mãos, paga-se apenas a diferença entre o que é devido e o que há para receber.
Se esse for o problema, o estrago pode ser maior que o previsto, segundo um ex-auditor. Isso porque tecnicidades como essa costumam ser padronizadas entre as chamadas Big Four, quarteto formado pelas maiores empresas de auditoria do mundo: Ernst & Young, PwC, KPMG e Deloitte.
“Caso as grandes empresas de auditoria [além da PwC] sigam esse roteiro, é possível que todos os varejistas adotem a mesma prática contábil”, afirmou um deles.
Por causa das dúvidas sobre os exames das contas, a PwC também está na mira dos credores lojas Americanas. Não faltam acusações de fraude na recuperação judicial. Os credores acusam a rede de esconder o rombo, enquanto a empresa acusa os bancos de usarem um “erro contábil” com pretexto para antecipar dívidas de longo e médio prazos.

