A dívida de 40 bilhões de reais das Lojas Americanas, que balança o mercado financeiro, já tem repercussão na Justiça. O juiz Paulo Assed Estefan nomeou administradores judiciais para as Americanas antes mesmo de um pedido de recuperação judicial ser apresentado.
Liminarmente, e sem qualquer pedido das partes envolvidas, o juiz da 4ª Vara Empresarial do Rio escolheu os advogados Bruno Rezende e Sergio Zveiter para cuidar do caso. Justificou a medida citando a “gravidade e relevância econômica e de mercado” da companhia, a “crise de confiança” criada com o rombo e o “reflexo sistemático de toda a cadeia produtiva de uma das maiores varejistas do país”.
O ato de Assed foi considerado pouco usual por especialistas em recuperação judicial consultados pelo Bastidor. Eles afirmaram ser ilegal nomear administradores antes do pedido de recuperação judicial, ainda mais sem pedido das partes, e numa decisão provisória.
Bruno Rezende é sócio de Wagner Madruga do Nascimento – que, conforme mostrou o Bastidor, promovia reuniões entre promotores fluminenses e grandes empresários para operar em processos de recuperação judicial. Madruga é filho do desembargador Ferdinaldo do Nascimento, do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro.
Sergio Zveiter, que foi deputado federal, pertence a uma das famílias mais poderosas e tradicionais do Direito fluminense. Seu irmão, Luiz Zveiter, é o desembargador mais influente do estado – tanto que tentou subverter as regras para presidir o TJRJ uma terceira vez, mas foi barrado pelo Supremo Tribunal Federal.

