Foi a partir da prisão de uma pessoa em Goiás, na operação Magnas Fraus, no dia 16, que promotores de São Paulo e do Rio de Janeiro conseguiram recuperar o equivalente a 5,5 milhões de reais desviados no maior ataque hacker ao sistema financeiro brasileiro e transformados em criptomoedas.
O dinheiro estava guardado em uma carteira autocustodiada, uma forma de estocar criptoativos que só pode ser acessada pelo próprio dono por meio de chaves de segurança. Em tese, a carteira com o dinheiro desviado estava oculta de qualquer monitoramento das autoridades.
Os promotores chegaram aos suspeitos por informações de movimentações bancárias suspeitas, informadas pelo Banco Central e pelo Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras). A movimentação financeira em contas bancárias tradicionais e em criptoativos de um dos alvos da operação, cuja identidade ainda é mantida em sigilo, despertou a atenção dos promotores. A pessoa passou a ser monitorada.
Após a prisão, os promotores encontraram no celular de um dos alvos as sequências de palavras de recuperação de sua carteira de criptomoedas, conhecidas no jargão como seed phrases ou “frases semente”.
A partir daí, os promotores conseguiram recriar a carteira em outro celular e transferir o equivalente a R$ 5,5 milhões em criptomoedas para uma carteira de criptomoedas do governo, mediante autorização judicial.
Segundo pessoas a par da investigação, parte do dinheiro roubado – ainda não recuperada – foi fragmentada em poucas horas após o ataque hacker em diversas carteiras de criptomoedas ocultas, o que dificulta o rastreamento.
É uma forma de lavar o dinheiro roubado. As autoridades só conseguem identificar os recebedores dos valores transformados em criptomoedas caso a carteira esteja vinculada a uma exchange, uma plataforma que administra criptoativos, ou se tiverem as “frases semente” da carteira oculta, como ocorreu no caso de Goiás.
Peritos da Polícia Federal e promotores ainda analisam celulares apreendidos com as duas pessoas presas operação, em busca de outras carteiras ocultas de criptoativos, que podem conter mais dinheiro roubado.

