Os operadores por trás das vendas no Brasil das duvidosas vacinas Sputnik e Covaxin pretendem aproveitar a janela de oportunidade que se abriu nesta semana para fechar negócios lucrativos.
A estratégia é simples: usar o ambiente político e social de extrema pressão por vacinas para negociar exitosamente o que antes seria impensável – imunizantes em larga escala sem aval sanitário sério. (As empresas não apresentaram pedidos ou dados à Anvisa.)
Os operadores esperam que Bolsonaro confirme a promessa de sancionar sem vetos a MP que exclui a Anvisa da análise de importação das vacinas. Também contam com o aval do Supremo, que certamente será provocado. Estão confiantes com a parceria firmada com o governador de Brasília, o advogado e empresário Ibaneis Rocha.
O Ministério da Saúde já firmou contrato de R$ 1,6 bilhão para comprar doses da Covaxin e está perto de fechar acordo semelhante para adquirir a Sputnik. Recusa-se, porém, a comprar as vacinas da Pfizer (a única a já ter registro definitivo no Brasil) e da Johnson & Johnson (que pode obter autorização em breve).
Os operadores querem vender as duas vacinas a estados, municípios e empresas privadas.

