George André Parlemo Santoro deixou ontem (13) a Secretaria de Fazenda de Alagoas, onde o hoje ministro Renan Filho era governador até o ano passado, para acompanhar o ex-chefe no Ministério dos Transportes. Será seu secretário-executivo – seu número 2.

O que ele não sabe é que adversários da família Calheiros no estado correram para alertar Lula sobre a possibilidade de seu governo ser desgastado com a nomeação, que ainda será publicada no Diário Oficial da União.

Contaram a Lula que o Ministério Público do Rio de Janeiro ajuizou uma ação civil pública contra Santoro em 2018 por causar prejuízos de cerca de 280 milhões de reais (em valores atualizados) aos cofres estaduais enquanto foi subsecretário de Receita na gestão de Sérgio Cabral.

Segundo a ação, Santoro beneficiou empresas com isenções fiscais indevidas. A ação civil pública, com mais de 5 mil páginas, ainda tramita na justiça do Rio, e pede a devolução do dinheiro, a quebra do sigilo fiscal, a interdição de suas contas e o bloqueio de seus bens.

Lula ouviu, deu um sorriso amarelo e prometeu verificar sobre o que se tratava a denúncia e se haveria outros eventuais problemas com o ministro Renan Filho. Ainda não o fez, segundo uma fonte disse ao Bastidor.

O Bastidor procurou Santoro e o Ministério dos Transportes. Até o momento não houve qualquer comentário.


Atualização às 19h35:

O Ministério dos Transportes enviou a seguinte nota:

“Não há, no momento, nomeação para o cargo de secretário-executivo do Ministério dos Transportes. Reforçamos que o ministro dos Transportes, Renan Filho, tem procurado e conversado com nomes qualificados para assumir cargos-chave na pasta, que serão divulgados assim que ocorrer a publicação no Diário Oficial da União (DOU)”.